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Alimentação

Superalimentos. Será que sabemos mesmo o que são e quais os mais ricos?

Muito além das plantas com nomes estranhos da moda, há vários alimentos que menosprezamos e que são tão (ou mais) ricos e devem fazer parte da nossa alimentação. Uma nutricionista explica.

Spirulina, clorela, matcha, cânhamo, maca ou moringa. Estes são apenas alguns nomes de uma lista (quase) infinita de superalimentos que se têm tornado cada vez mais populares nos últimos anos. Prova disso é que basta fazer uma pesquisa pela palavra superalimentos para encontrar mais de 7 milhões de resultados. Experimente a versão em inglês, “superfoods”, e o valor sobe para 298 milhões. 

Mas será que sabemos, exatamente, o que são superalimentos? Segundo um artigo da “Medical News Today”, superalimentos são alimentos que têm uma elevada densidade nutricional, são ricos em minerais, vitaminas e antioxidantes e, ao mesmo tempo, são baixos em calorias. É também esta a definição que a nutricionista Iara Rodrigues dá à dobem. A especialista explica que na grande maioria das vezes nos “referimos a superalimentos quando falamos em alimentos que concentram grandes benefícios”, garante. “É quase como se tivessem super poderes.”

Basta fazer uma breve pesquisa sobre a maca, por exemplo, para perceber que encaixa nesta categoria. É rica em proteínas mas também em minerais como o ferro, o zinco, cálcio e fósforo. Além disso, contém aminoácidos, antocianinas, alcalóides e sais minerais, o que faz desta planta inca da região do Peru um alimento bastante completo. O mesmo se pode dizer de tantos outros superalimentos. Mas até que ponto é que valerá a pena introduzir a maca, a moringa, a spirulina ou até mesmo o cânhamo na sua alimentação?

Um artigo de agosto de 2020 publicado pela revista “SELF” cita Dianna Sinni, dietista e blogger no estado de Missouri, nos Estados Unidos, que explica que muitos destes alimentos, se não tivessem ganho popularidade nos últimos anos, nunca se tornariam conhecidos, nem seriam consumidos. No entanto, Sinni garante também que graças à popularidade destes alimentos, há outros que acabam por ser menosprezados da alimentação, apesar de serem tão ou mais ricos do que alguns dos mais populares. 

“O que acontece muitas vezes é que uma fruta ou legume que estava a ser ignorada acaba por se tornar popular novamente, como acontece com as couves de Bruxelas ou com a couve kale, tudo porque foram rotuladas como superalimentos”, pode ler-se na publicação. “Mas esta tendência pode levar os consumidores a verem alimentos como os brócolos, a aveia ou a maçã como inferiores a nível nutricional, apesar de não ser esse o caso.”

Iara Rodrigues diz à dobem. que concorda com a afirmação da especialista americana, mas vai ainda mais longe, explicando que, na realidade, e tendo em conta aquela que é a definição de superalimento, todas as frutas e verduras o são, de alguma forma. “Não é preciso ser uma matcha, uma spirulina ou clorela para se considerar um superalimento”, diz a nutricionista. “O tomate é um superalimento porque tem inúmeras propriedades que fazem dele, comparativamente a outros alimentos, muito privilegiado, mas o mesmo se pode dizer da abóbora, da cenoura, da acelgas ou do espinafres.”

A especialista explica à dobem. que não quer dizer, com isto, que não faça sentido consumir este tipo de alimentos, no entanto, há tantos outros que se enquadram nesta categoria e que, muitas vezes, são bem mais acessíveis. À revista “SELF”, Dianna Sibbi dá vários exemplos, entre eles estão alguns dos que Iara Rodrigues revelou à dobem., como é o caso do espinafre, um vegetal rico em vários nutrientes como é o caso do potássio, do ferro ou da fibra. Já o tomate contém Vitamina C, potássio, magnésio, folato, vitaminas do complexo A e a sua cor avermelhada torna-o ainda rico em antioxidantes. 

Uma questão de sustentabilidade

Outra questão que Iara Rodrigues levanta é o facto de a tendência dos superalimentos ter gerado um consumo massificado de alimentos que, até então, eram praticamente desconhecidos. Essa massificação e a elevada procura, explica, podem afetar as condições de produção e crescimento de certos alimentos, como é o caso da Matcha. 

“O seu consumo de repente fica massificado na nossa cultura, e acaba por haver passos na sua produção que são alterados, precisamente porque o mundo inteiro se lembro de consumir aquele alimento e acredita que é o melhor do mundo”, diz a especialista. “De repente, aquilo que seriam as condições normais do crescimento desta planta do chá verde, a camellia sinensis, têm de ser alteradas e a planta passa a ser cultivada de forma massificada e industrializada.”

A nutricionista acrescenta ainda que ao industrializar a produção, certos alimentos podem perder muitas das suas propriedades. Além disso, muitos destes alimentos acabam por ser consumidos fora da sua época, o que também altera a sua composição nutricional. 

“Todos os frutos, legumes e hortaliças devem ser consumidos respeitando a sua sazonalidade e a zona onde são colhidos”, explica Iara Rodrigues. “Em Portugal temos opções muito diversificadas, mas há outros alimentos que não crescem no nosso solo e que queremos continuar a consumir, por isso, muitas vezes, ele viajam o mundo inteiro para cá chegar.”

Para a nutricionista, a forma como os alimentos são acondicionados e refrigerados nem sempre é a melhor, o que pode causar perdas nutricionais durante o transporte. Sabe-se também que, a partir do momento em que o alimento é colhido do solo, está a perder nutrientes, por isso, quanto maior for o tempo de transporte, maior será a perda nutricional. 

Além disso, há toda a questão da sustentabilidade, já que a importação dos alimentos implica transporte e logística, que envolve gastos de combustível e, na grande maioria dos casos, também de embalagens desnecessárias. Iara Rodrigues dá o exemplo de um alimento que foi ganhando cada vez mais popularidade em Portugal nos últimos anos, mas que não tem produção nacional: o Açaí.

“Fala-se imenso do açaí, que pode ser considerado um superalimento, mas que não é nosso”, diz a especialista. “Em comparação temos, por exemplo, os mirtilos, que produzimos em Portugal e que, se calhar, são duas vezes melhores do que o açaí a nível nutricional. O mesmo acontece com o óleo de coco, por exemplo, que pode muito bem ser substituído por azeite.”

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