frutas e legumes

Alimentação

Sazonalidade dos alimentos. Porque devemos consumir as frutas e legumes da época?

Temos sempre alimentos disponíveis durante o ano inteiro, mas cada um deles tem uma época específica. Duas especialistas explicam a importância do respeito por cada uma delas.

Para mantermos uma alimentação saudável é importante termos um prato cheio dos alimentos certos. Para isso, há que saber escolher que frutas e legumes devemos consumir, tendo, sempre que possível, em conta a sazonalidade de cada um deles. Mas porque é que é tão importante respeitar a época dos alimentos? Foi isso que fomos descobrir junto de duas especialistas.

Estamos habituados a ter um pouco de tudo durante o ano, salvo algumas exceções de frutas como, por exemplo, os morangos ou a melancia, que só surgem nos meses mais quentes. Isto acontece porque, atualmente, grande parte dos alimentos pode ser produzido em estufas e através da utilização de alguns pesticidas e outros químicos que podem ter alguns efeitos negativos a nível nutricional e, mais preocupante ainda, serem prejudiciais para a saúde.

Este é um dos principais motivos pelos quais a sazonalidade dos alimentos deve ser respeitada. Cada alimento tem o seu tempo, e todas as frutas e legumes têm uma época de cultivo específica. Segundo a nutricionista Ana Isabel Monteiro, existem três principais vantagens para que os alimentos sejam consumidos na época certa.

A nível nutricional, é sempre vantajoso consumirmos os alimentos dentro da sua época. Não é ao acaso que a natureza nos dá fruta em determinadas épocas. “Por exemplo, se pensarmos no inverno, temos frutas muito mais ricas em vitamina C, como a laranja, a tangerina ou o kiwi, que acabam por nos ajudar a proteger das gripes. Enquanto nos meses mais quentes, na primavera e no verão, temos frutas mais ricas em água, também para prevenir uma possível desidratação, uma vez que estamos mais expostos ao calor,” explica a especialista.

Para além disso, temos também a vertente sustentável. Se os alimentos surgem na natureza de uma forma natural, não somos forçados a recorrer a estufas onde, como já referido, são muitas vezes utilizados produtos químicos que podem acabar por prejudicar os solos. Além disso, nestas estufas existe, inevitavelmente, um maior gasto energético.

Por fim, o fator económico também faz parte da lista de motivos dados pela nutricionista, sendo que “ao consumirmos produtos da época certa, acaba por ser mais em conta do que estar a consumir fora da época,” acrescenta.

Se por um lado existem, de facto, legumes que podem ser produzidos naturalmente durante o inverno porque não precisam de tanta luz — como é o caso dos brócolos, e de vários tipos de couve, — por outro, há frutas que necessitam imperativamente de sol e luz, como é o caso dos morangos.

A realidade é que os sabores também se alteram, como garante Luísa Almeida, gerente da Quinta do Arneiro, os morangos, por exemplo, têm um sabor diferente no verão e ao longo do ano, porque a época deles é no verão. “Há produtos que têm mesmo personalidade”, explica.

Há coisas que precisam de muito sol porque é importante para o seu sabor e para a sua maturação. Portanto, é muito importante que tenham sol, já nem digo calor, mas sol. É muito importante,” acrescenta.

Se formos a ver, também é mais entusiasmante respeitar o tempo de cada produto. Imaginemos que estamos a comer couves durante muitos meses. Vamos ficar fartos de ter sempre o mesmo prato e vamos querer diversificar, certo? O morango que vamos comer no verão vai saber-nos muito melhor. “Portanto, aquela vontade de voltar a ter o que não se tem há muitos meses, é sempre muito mais emocionante,” afirma.

Luísa Almeida destaca ainda que um dos lados positivos de Portugal é que podemos perfeitamente produzir e conservar os alimentos, ao contrário dos países do norte da Europa “eles sim, não podem mesmo produzir porque está sempre tudo cheio de neve. E como não têm a hipótese de prolongar a produção, foram obrigados a conservar para o inverno. E nós devíamos fazer o mesmo,” diz a gerente da Quinta do Arneiro.

É que, para além de os podermos conservar, podemos — e devemos — dar uso à criatividade. Tal como explica a nutricionista Ana Isabel Monteiro, quando as frutas estão na sua época, vêm em maior quantidade. Podemos então utilizá-las para vários fins “por exemplo, chegando agora os pêssegos em grande quantidade podemos fazer compotas, conservas ou crumbles.”

Outra das opções será também congelar para, mais tarde, confeccionar gelados ou até batidos. Desta forma está a respeitar o timing natural da natureza e pode ainda evitar o desperdício alimentar.