Bolos glúten

Alimentação

O que acontece ao corpo quando deixamos de comer glúten? Uma especialista explica

Há vários cenários, os celíacos, os sensíveis e os que levam uma alimentação sem glúten. Mas as reações diferem. Descubra o porquê.

Todos nós já ouvimos falar do glúten ou, possivelmente, conhecemos alguém que é alérgico e não o pode consumir. Atualmente, há uma grande tendência para achar que retirar o glúten pode ser benéfico, mas a situação muda de caso para caso. Mas o que é que acontece, afinal, quando retiramos o glúten da nossa alimentação?

Afinal o que é o glúten? Como explica a nutricionista Tatiana Pinheiro, “é uma junção de duas proteínas, a gliadina e glutenina, que conferem uma consistência mais viscosa e elástica às massas sem que esta esfarele, por exemplo, massa do pão, dos bolos, das bolachas”.  

Mas a verdade é que nem sempre há uma resposta certa para o comportamento desta proteína num determinado tipo de corpo, vai depender de caso para caso e, segundo a especialista, podemos dividir em três grupos principais os efeitos de não comer glúten para o nosso corpo.

Uma pessoa saudável, que não apresente qualquer tipo de reação ao glúten

Uma pessoa que não tenha qualquer tipo de alteração no corpo ao consumir glúten, é alguém que, à partida, não tem de o retirar da sua alimentação. Se for algo que pretende fazer por escolha própria, não se esqueça de ter sempre acompanhamento de um especialista da área. Não há estudos que provem qualquer tipo de benefício em retirar esta proteína da alimentação de uma pessoa com estas condições.

Na verdade, um estudo publicado em 2019 pelo “Journal of Family Psychology” concluiu que, quando alguns pais retiraram o glúten da alimentação dos filhos por acharem que este era prejudicial, mesmo sem existirem sintomas adversos, os resultados foram contrários ao esperado. Estas crianças acabavam por acusar, mais tarde, uma perda de fibras, minerais e até algumas vitaminas.

Tal como explica a nutricionista, “às vezes tiram alimentos como cereais integrais ou alimentos mais ricos nutricionalmente que têm também mais fibra e depois podem vir a ter deficiências, por isso, qualquer retirada do glúten deve ser sempre feita com a ajuda de um profissional, para não descurar determinados nutrientes”. Ou seja, para as pessoas saudáveis, sem intolerâncias, nada prova que seja benéfico retirar o glúten da alimentação.

Intolerância ao glúten

Quem sofre de intolerância ao glúten, são pessoas que, por norma, sofrem da doença celíaca — uma doença autoimune do intestino, causada por uma sensibilidade permanente ao glúten, onde a única forma de tratamento é retirar o glúten. Esta doença provoca sintomas, sobretudo gastrointestinais. “Os principais sintomas passam pela distensão abdominal, dor abdominal, alterações do trânsito intestinal, que normalmente é diarreia, flatulência e, dependendo das idades, pode até causar alterações a nível de crescimento”, explica a nutricionista.

Esta doença é, no fundo, uma inflamação crónica da mucosa intestinal. Nestes casos, o facto de retirar o glúten vai, de facto, aliviar estes sintomas. É que ao retirá-lo, irá estar a reduzir estes danos intestinais, e por consequente, o organismo vai recuperando, “devolvendo alguma saúde intestinal à pessoa em questão”, acrescenta.

Sensibilidade não celíaca

Portanto é saudável, mas ao mesmo tempo tem uma intolerância? Chama-se sensibilidade não celíaca. Isto significa que pode ter alguns sintomas quando ingere alimentos que contenham glúten e, ao retirá-lo da sua alimentação, vai sentir um maior conforto tanto a nível digestivo como a nível intestinal. Nestes casos ,e acompanhados por profissionais, as pessoas poderão eventualmente introduzir novamente o glúten na alimentação, conforme o profissional de saúde indicar e conforme se sentirem.

Tal como explica a especialista, “esta questão da tolerância nem sempre se liga ao glúten. Alguns profissionais têm visto que [as intolerâncias] podem não ser propriamente ao glúten em si. Podem ser a outro tipo de açúcares presentes no trigo, como o caso dos FODMAPs, açúcares fermentáveis que existem em alimentos que tenham glúten”.

Por isso é importante referir, que independentemente de qual for o seu caso, o ideal é ser seguido por um especialista da área para saber que alimentos, igualmente ricos e completos a nível nutricional, poderá consumir. Em momento algum deverá ser um autodiagnóstico, mas sim um acompanhamento com os devidos cuidados.

“É vantajoso tirar esta proteína da alimentação? Sim, se for doente celíaco, ou se tiver sensibilidade não celíaca pois a grande vantagem de o retirar nestes dois casos, é voltar a sentir algum conforto e perder o inchaço abdominal, a flatulência, e ter alguma melhoria da flora intestinal. Se eu não tiver nada, não há porque não ingerir glúten”, explica Tatiana Pinheiro.

O glúten pode ser encontrado em certos alimentos como o trigo, a cevada, o centeio entre outros. No fundo, tudo o que seja derivado do trigo e farelo. Mas se por um lado temos alimentos que o contenham, por outro, temos alimentos que são isentos dele. Como é o caso da tapioca, do arroz, da quinoa e do trigo sarraceno, outras opções de hidratos de carbono substitutos do trigo.