iogurte caseiro

Alimentação

Aprenda a preparar iogurte caseiro em qualquer lugar (até em cima de uma bicicleta)

Chamamos-lhes iogurtes caseiros, mas até podem ser feitos a acampar. Fomos perceber como funciona e perguntámos a uma nutricionista quais os benefícios.

Quando pensamos em iogurte caseiro há duas imagens que nos vêm à cabeça: as iogurteiras antigas que as avós tinham em casa, ou os robôs de cozinha onde já experimentámos fazer iogurtes, mas que nem sempre foram bem sucedidos. Já Miguel Leal teve a ideia de fazer uma coisa totalmente diferente e inesperada: fazer iogurtes numa colmeia. À primeira vista, pode levantar algumas dúvidas, mas a verdade é que resultou. Daí nasceu a YogurtNest, que revolucionou a forma como podemos fazer iogurtes em casa.

“O Miguel fez uma publicação no blogue da iniciativa das ‘Cidades em Transição’ sobre fazer comida em casa. Pão, iogurtes, compostas, etc”, conta à dobem. Ana Jervis, também responsável pela marca. “Houve alguém que perguntou como é que se fazia iogurte em casa mas, nessa altura, ele ainda fazia na Bimby.”

Miguel quis encontrar uma alternativa mais simples, e revelou quais eram os princípios básicos para fazer o iogurte mestre. A pessoa que fez a pergunta não voltou a aparecer, mas Miguel, que já era apicultor, continuou curioso. Foi então que decidiu fazer o teste com uma colmeia, onde colocou, numa primeira fase, serradura, para abafar e manter a temperatura, ajudando ao processo de fermentação. Lá dentro, colocou um frasco com leite quente com uma colher de iogurte, sem grandes expectativas. Mas a verdade é que resultou.

Mas hoje em dia, Miguel Leal não faz os seus iogurtes nas colmeias, mas sim nos “saquinhos”, como são conhecidas as iogurteiras da YogurtNest, que estão cheios de cortiça — um material que, percebeu depois, retém mais o calor do que a serradura —, e que têm uma particularidade. É que ao contrário de um robot de cozinha ou da iogurteira elétrica, estes sacos podem ser levados para todo o lado. O objetivo deste projeto, explica Ana, não era só simplificar o processo de fazer iogurtes, mas também criar uma solução que fosse o mais natural e sustentável possível.

Mas como é que isto funciona na prática? 

“É muito fácil”, diz Ana da YogurtNest, acrescentando que até as crianças o podem fazer, com ajuda quando for preciso manusear o fogão, claro. Só é preciso dar os passos certos e o primeiro começa na escolha da receita: iogurte de origem animal ou vegetal.

No primeiro caso, qualquer leite de vaca, cabra, ovelha ou sem lactose resulta. Mas Ana garante que também se conseguem obter bons resultados com os de origem vegetal, basta escolher uma bebida, seja ela de aveia, arroz ou coco, que tanto pode ser de compra como caseira. Depois, basta adicionar um espessante vegetal, como goma guar, goma xantana, farinha de semente de alfarroba ou amido de milho. Este passo torna-se necessário, uma vez que as bebidas vegetais de compra são essencialmente feitas de água.

Reunidos os ingredientes, é hora de fazer magia, e iogurte. Quanto ao de origem animal, deve-se começar por aquecer o leite. Depois, é preciso inocular, isto é, adicionar uma colher de iogurte ao leite ou bebida de soja quente, na panela ou nos frascos, e mexer. A seguir, e aqui é onde acontece a verdadeira magia, é preciso incubar o preparado deixando os frascos dentro da iogurteira durante, pelo menos, seis horas.

No caso do iogurtes caseiro vegetal, o processo não difere muito, havendo apenas mais uma etapa. Depois de aquecer a bebida vegetal, terá de juntar o tal espessante, inocular e, finalmente, incubar. No entanto, tem de ter atenção a alguns aspetos. 

“É preciso mexer bem, como se fosse um molho bechamel, até ficar um pouco cremoso. E depois não se pode deixar grumos, não é agradável”, explica Ana Jervis, que já recebeu várias dúvidas sobre isto de fazer iogurtes vegetais. 

Por não precisarem de eletricidade, pode deixar as iogurteiras da YogurtNest com o preparado a fermentar, sem ter de se preocupar em nada. Além disso, tem também a vantagem de não gastar praticamente eletricidade em todo o processo. A única que gasta será a aquecer o leite ou bebida vegetal. Mais ainda: se estiver a acampar, pode levar a iogurteira consigo e fazer iogurtes para o pequeno-almoço, garante Ana Jervis.

“Há pessoas que gostam de usar o fogão, o micro-ondas, ou o robô de cozinha. Se estiver a acampar pode usar um outro método a gás ou até uma fogueirinha”, revela, acrescentando que outra das vantagens destes sacos é que não precisa de ficar parado enquanto espera pelo processo de fermentação. “Posso colocar no sofá, no carro, até na bicicleta. Já tenho levado. O iogurte fica um pouco mais líquido, mas bom na mesma”, diz Ana.

A principal dica para que os iogurtes saiam bem é, no fundo, “experimentar”, refere Ana, uma vez que o mundo das fermentações é enorme e é possível fazer inúmeras variações de sabores e texturas. “Na primeira vez as pessoas têm muito medo. ‘Ai não tenho termómetro, não vou conseguir fazer’. Mas depois quando começam, percebem como é fácil”, garante à dobem.

Mas será que existem vantagens em fazer iogurte caseiro?

Por um lado, fazer iogurte caseiro é um processo mais trabalhoso mas, tal como explica a nutricionista Ana Isabel Monteiro, além dos benefícios ambientais, “é possível controlar os ingredientes utilizados”, ao contrário do que acontece com os iogurtes de compra.

É que basta olhar para um qualquer rótulo de iogurte de supermercado para identificar, pelo menos, uma forma de açúcar. Além disso, quase todos os iogurtes têm vários ingredientes artificiais, entre corantes e conservantes.

No entanto, segundo a nutricionista, e apesar de terem alguns benefícios para a alimentação, os iogurtes caseiros podem nem sempre ser a melhor opção a nível nutricional, especialmente se estivermos a falar em receitas de origem vegetal. 

“Fazer iogurte caseiro vegetal nem sempre é a melhor solução, uma vez que não vão ser enriquecidos com cálcio, um nutriente fundamental em qualquer dieta, mas mais difícil de encontrar na alimentação vegetal”, explica a especialista.

Menos 1500 embalagens de plástico num ano

Do ponto de vista ambiental, já não é novidade que fazer iogurte caseiro permite poupar milhares de embalagens plásticas. Só para uma família de quatro pessoas que consuma quatro iogurtes por dia, por exemplo, a YogurtNest estima que se poupem 1500 embalagens num ano ao fazer iogurtes caseiros em potes reutilizáveis.

A isto, junta-se o facto de as iogurteira YogurtNest serem feitas de materiais naturais, com têxteis reaproveitados de fábricas portuguesas, e terem uma longa duração de vida.

Tendo em conta todas estas características, não é de estranhar que a YogurtNest, além de estar à venda no site, faça parte da loja Maria Granel. Estão à venda em diferentes tamanhos, e com nomes que pretendem homenagear a cultura portuguesa. É o caso da Monsanto (45€), da Sortelha (50€) ou da Baleal (35€).