Alimentação

Papa O’Clock. O novo espaço em Lisboa onde as papas de aveia se transformam em risotto

De cogumelos, com caril ou até mesmo com chili, não faltam opções de risottos feitos como se fossem papas de aveia. Mas também não faltam opções doces.

Tradicionalmente, o risotto é feito com arroz de grão curto, normalmente arbório, que é mais rico em amido e, por isso, fica mais cremoso. Já Luís Relógio faz o seu risotto com aveia. Sim, aquela que se costumam comer ao pequeno-almoço. É este o prato estrela do Papa O’Clock, o novo projeto de papas de aveia que nasceu em plena pandemia na Avenida de Roma, em Lisboa. 

Luís é chefe de cabine na TAP e desde março, altura em que Portugal entrou em estado de emergência, que deixou de voar. Entrou em lay-off e precisou de arranjar alguma coisa com que ocupar o seu tempo livre. Seguidor de um estilo de vida saudável desde 2014 e ovolactovegetariano desde 2018, sempre preparou papas de aveia em casa que ia dando a provar aos amigos, que adoravam. “Eles diziam que devia vender, e ria-me, porque não tinha tempo para isso. Nem sabia como o fazer”, conta à dobem.

Por trabalhar na área da aviação, já teve a oportunidade de visitar vários países, e foi aí que percebeu que a cultura das papas de aveia é diferente em cada um deles. Encontrou vários espaços especializados em papas de aveia um pouco por todo o mundo, mas foi em Londres e Nova Iorque que encontrou as papas salgadas, um conceito pouco conhecido em Portugal. 

Quando entrou em lay-off, começou a ajudar um amigo, Mickaël Soares, dono do Delicafé na Avenida de Roma, em Lisboa. “Estive lá com ele para ajudar a manter o negócio enquanto os funcionários estavam em lay-off e, assim, mantive-me entretido durante o isolamento”, recorda. 

Foi no Delicafé que o amigo o convenceu a começarem a fazer as suas papas de aveia, que já eram famosas entre as pessoas que os rodeavam. A ideia seria preparar as papas a partir da cozinha do Delicafé, mas ter uma marca própria e vender as papas através da Uber Eats ou em regime de take away. “Lá aceitei o desafio, em jeito de brincadeira”. Assim, desde 15 de junho que o número 28B da Avenida de Roma passou também a ser a casa da Papa O’Clock. 

Luís Relógio explica que a cultura das papas de aveia ainda não existe em Portugal, mas espera que com este novo projeto isso venha a mudar. 

“É uma pena, porque a aveia é um cereal super nutritivo e que faz maravilhas pelo organismo, desde que seja bem preparado, bem acompanhado e, como tudo, consumido moderação”, explica. 

Por ser um cereal neutro, como o arroz, Luís Relógio utilizou a aveia como base para preparar papas de aveia doces, mas também salgadas, que são servidas como se fossem um prato de risotto. Na Papa O’Clock, chamam-lhes risOATTos.

“A aveia e o arroz servem de base a várias criações, e da mesma forma que o arroz é tipicamente comido salgado, mas também é usado para fazer arroz doce, a aveia é usada em papas doces, normalmente, mas também pode ser salgada”, diz à dobem.

Existem quatro versões de papas doces, preparadas sempre com uma combinação de frutas frescas, frutos secos, sementes e especiarias. São todas veganas e, ao contrário das papas tradicionais, são servidas à temperatura ambiente e bastante cremosas. A mais procurada, conta Luís Relógio, é a Sunrise, com pêssego, framboesa, amendoim torrado, sementes de linhaça e geleia de agave. A base é preparada com aveia, bebida de amêndoa, tâmara, canela e gengibre. Cada papa com 350 mililitros custa 5,90€. Já as grandes, de 550 mililitros, ficam a 6,90€. 

Já nas salgadas, a Noon é das mais pedidas pelos clientes da Papa O’Clock. É como se fosse um clássico risotto de cogumelos, com espinafres, creme de balsâmico, cebolinho, parmesão, ovo escalfado e sementes de sésamo preto. Ao contrário das papas doces, nem todas as salgadas são veganas, mas pode sempre pedir que retire os ingredientes de origem animal. Cada uma destas papas custa 8,90€. 

“Todas são bons exemplos de comfort food e podem ser comidas a qualquer hora, em qualquer lado, e sem culpa” explica Luís Relógio. “Não têm aquele sabor que traz as memórias viscerais de papas de farinha maizena, Cerelac ou Nestum. Até já converti muitos amigos meus, que diziam que não gostavam de papas de aveia.”

Além da preocupação ambiental com a alimentação, Luís teve também o cuidado de utilizar materiais recicláveis e sustentáveis nas suas embalagens. Todos os recipientes utilizados pela Papa O’Clock são feitos em papel, até mesmo os autocolantes que não utilizam películas de plástico. Já os talheres são de milho, biodegradáveis e 100% compostáveis. “Prefiro ter um produto mais dispendioso para mim, mas ter a certeza de que estou a minimizar a minha pegada ecológica”, explica.

Para já, o projeto vai continuar a funcionar neste regime, dentro do Delicafé. Luís Relógio revela à dobem. que, pelo menos durante os próximos tempos, não vai voltar a voar, e mesmo que o fizer, nunca será com um horário como o que tinha antes da pandemia. Mas, quando isso acontecer, contará sempre com a ajuda de Mickaël Soares, que é também seu sócio, e em que confia a 100%. 

Pode encontrar as papas da Papa O’Clock através da Uber Eats ou no espaço na Avenida de Roma, que fica em frente ao ginásio Supera. Estão abertos todos os dias entre 9h30 até ás 19h30.