alimentos com mais pesticidas

Alimentação

Cuidado com os morangos, são os alimentos com mais pesticidas (mas não são os únicos)

Os resultados foram revelados num relatório que analisou as 46 frutas e legumes mais consumidos. A mesma investigação encontrou também dois pesticidas presentes nos citrinos que são considerados cancerígenos.

Quando se fala em morangos, qual é o primeiro pensamento que lhe vem à cabeça? Batidos, tardes de verão, as apanhas que fazia no quintal dos avós ou até a música dos Beatles. Os morangos trazem boas memórias e, muito provavelmente, quando pensa neles não associa a serem um dos alimentos com mais pesticidas que podem ser prejudiciais à saúde, mas a verdade é que, se não optar pela versão biológica, podem fazer mais mal do que bem ao organismo.

O mais recente relatório da Environmental Working Group (EWG), uma organização não governamental, revela que os morangos, à semelhança do que aconteceu em 2018, estão no topo da lista dos “Dirty Dozen”. Esta lista, divulgada anualmente, indica quais os legumes e as frutas que mais poderão prejudicar o organismo, mediante a quantidade de pesticidas utilizados na produção de cada um.

Ao fazerem estes testes em amostras não biológicas em 46 das frutas e legumes mais consumidos, os investigadores perceberam que mais de 90% dos morangos, maçãs, cerejas, espinafres, nectarinas e outros legumes de folhas verdes como a couve kale continham resíduos de dois ou mais pesticidas. Além disso, perceberam que uma única amostra de couve kale, couve galega ou folhas de mostarda continha até 20 pesticidas diferentes. Já nas amostras de pimentos foram encontrados 115 pesticidas.

O mesmo relatório, divulgado a 17 de março, confirmou que 70% dos produtos frescos não orgânicos vendidos nos Estados Unidos contêm pesticidas químicos que são prejudiciais para a saúde humana. Entre eles, os investigadores dão especial atenção aos citrinos. Neles, foi detetada a presença de dois fungicidas que pode causar alterações hormonais e já foram, inclusive, classificado como sendo cancerígenos, o Tiabendazol e o Imazalil, a utilização deste último na pós-colheita de algumas frutas foi, inclusive, proibida pela Comissão Europeia em 2019.

Além dos morangos, fazem também parte da lista dos “Dirty Dozen” os espinafres, as couves Kale e galega, as nectarinas, mãças, uvas, cerejas, pêssegos, peras, pimentos e malaguetas, o aipo e o tomate.

Mas nem tudo são más notícias, porque juntamente com a lista dos “Dirty Dozen”, a EWG publica também uma listagem dos alimentos com menor número de pesticidas a que chama de “Clean Fifteen”. O abacate mantém-se, tal como em 2020, no topo da lista e a ele juntam-se o milho, ananás, cebola, papaia, ervilhas congeladas, beringela, espargos, brócolos, couve, kiwi, couve-flor, cogumelos, meloa e a meloa cantaloupe.

Os perigos dos pesticidas

Segundo a Quercus — Associação Nacional de Conservação da Natureza, os pesticidas são “substâncias com capacidade para matar organismos, supostamente indesejáveis”, com efeitos que podem “não se restringir às espécies indesejáveis”, resultando em “efeitos adversos para a saúde humana e ambiente.” Além de também estarem na origem da contaminação da água e dos solos, o envenenamento e outros riscos para a saúde estão entre os problemas da utilização de pesticidas na agricultura.

Apesar de haver uma lista de produtos permitidos e de haver um limite da quantidade utilizada imposta por lei que pretende assegurar que não há nenhum risco para a saúde, há o problema do efeito cumulativo já que, muitas vezes, acabamos por comer não um, não dois, mas vários alimentos que contém diferentes tipos de pesticidas na sua composição.

É com esta informação em mente que se torna uma prioridade ter atenção à escolha de produtos e, sempre que possível, optar por produtos biológicos que têm menos impacto não só no ambiente, mas também para a saúde. É que, a longo prazo, a ingestão de pesticidas pode provocar infertilidade e até mesmo influenciar a produção hormonal, uma vez que estas substâncias tóxicas alojam-se no fígado, órgão ligado ao metabolismo.

Tendo em conta que este problema não está diretamente nas nossas mãos, apenas podemos contribuir para diminuir os danos. Tal como explica a nutricionista Mafalda Almeida, o ideal para melhorar este problema é lavar bem as frutas e os legumes, e tentar sempre retirar a casca e a pele, sendo que estas são o que contém a grande parte dos pesticidas.