Alimentação

Novo estudo confirma: consumo de fibras reduz risco de stresse pós-traumático

Costumamos dizer "corpo são, mente sã" e há mais um estudo que vem indicar isso. Além da alimentação, deve zelar pelo ambiente à sua volta.

As fibras são conhecidas pelo poder na regulação do trânsito intestinal que não só é o responsável pelo nosso bem-estar físico, como mental. A ideia tem vindo a ser defendida por várias nutricionistas, como Maria Inês Antunes que afirma que o intestino é “o nosso segundo cérebro”, e é agora reforçada por um estudo canadense que concluiu que uma dieta rica em fibras e fatores socioeconómicos estáveis pode diminuir o risco de perturbação de stresse pós-traumático (PTSD).

Mas o que é a PTSD? Como o nome indica, resulta de uma situação de stress que pode despoletar quadros de mal-estar psicológico caracterizados por sintomas como lembranças do acontecimento traumático, sonhos recorrentes e reações dissociativas.

O objetivo do estudo foi aprofundar os conhecimentos sobre a PTSD “em adultos de meia idade e mais velhos, com particular atenção para a relação da perturbação de stresse pós-traumático com a nutrição, a etnia e a condição de imigrante”, de modo a perceber a influência de fatores socioeconómicos nesta perturbação, refere o estudo publicado a 3 de fevereiro na revista cientifica Social Psychiatry and Psychiatric Epidemiology.

De um total de mais de 27 mil pessoas analisadas no estudo, cerca de uma em cada 20 revelou sofrer desta perturbação e os cientistas quiseram perceber as causas. A principal conclusão? Alimentos e fatores sociais podem ser inflamatórios para o corpo.

Os investigadores constataram que aqueles que consumiam diariamente chocolates, alimentos de pastelaria e, ao mesmo tempo, estavam associados a fatores de risco como tabagismo, dor crónica e tinham menores rendas familiares, situações de viuvez, divórcio ou separações, demonstraram estar mais vulneráveis a desenvolver perturbações de stresse pós-traumático. Isto porque, de acordo com a epidemiologista nutricional e co-autora do estudo, Karen Davison, os fatores sociais podem causar inflamação no cérebro e no corpo.

Por outro lado, “aqueles que tinham 55 ou mais anos, que tinham uma relação cintura/altura elevada, ou consumiam duas a três fontes de fibras por dia tinham significativamente menor risco de desenvolver PTSD”, diz o estudo.

Assim, segundo explicou Karen Davison ao “Insider“, ao aumentar a ingestão de alimentos ricos em fibras, aumentará também a comunicação entre o intestino e o cérebro. Isto acontece porque quando as fibras são quebradas no organismo, libertam-se ácidos gordos de cadeia curta (AGCC), responsáveis por reduzir a inflamação do corpo.

Entre os alimentos destacados para afastar o risco de PTSD e promover a saúde mental, estão os grãos integrais e a aveia — que vão alimentar as bactérias boas.

Como a nutricionista Catarina Lopes já tinha revelado à dobem., existem cerca de “500 mil espécies de bactérias que vivem no intestino” e que precisam de ser bem alimentadas. Uma das opções são os alimentos fermentados, ricos em fibra (e também em probióticos).

O estudo vem assim abrir novas portas para investigações mais aprofundadas sobre saúde mental, já que, de acordo com Valerie Taylor, chefe do departamento de psiquiatria da Universidade de Calgary, no Canadá, pode-se ter encontrado uma nova forma de tratar a depressão: regular a microbioma intestinal.