café com adoçante

Alimentação

Sabe o mal que está a fazer ao seu corpo ao beber café com adoçante? Uma nutricionista explica

Pode parecer a opção mais saudável e menos calórica mas Iara Rodrigues garante: está apenas a enganar o organismo e a alimentar um vício.

DOBEM.
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Chega ao restaurante mais próximo do escritório para almoçar. A opção mais saudável — e rápida — é um prato do dia que escolhe acompanhar com salada ou legumes, excluindo as habituais batatas fritas ou arroz. No final, e para manter a refeição equilibrada, pede um café com adoçante, porque é melhor do que o açúcar, certo? Errado. 

Acreditamos que este é o comportamento mais correto, porque durante anos nos foi transmitida a ideia de que o açúcar era o nosso maior inimigo e que o devíamos excluir completamente da nossa alimentação. Afinal, ser saudável é excluir o açúcar, mas o que fazer com o café quando não o queremos beber com um sabor muito amargo? Colocar adoçante parece ser a opção mais viável, mas é um daqueles disparates que já quase todos cometemos, e que faz tanto — ou mais — mal ao nosso organismo do que o pacotinho de açúcar. 

Quem o diz é a nutricionista Iara Rodrigues. Tal como explica à dobem., os adoçantes artificiais começaram a surgir no mercado numa altura em que as preocupações com a obesidade e com patologias como a Diabetes cresciam cada vez mais. Muitas delas estavam associadas ao consumo de açúcares, especialmente os refinados, e foram surgindo alimentos rotulados como light e isentos de açúcar mas que, na sua vez, continham adoçantes artificiais. Para a especialista, esta é apenas uma forma de continuar a alimentar um problema que está na origem: o vício dos doces. 

“O açúcar é um hidrato de carbono e, em 80% dos casos, são-lhe retiradas as qualidades que fazem dele um produto natural, como a fibra, durante o processo de refinação. Quando o colocamos no café, há uma resposta calórica do organismo, mas aquilo é um comportamento que o corpo já identifica como sendo natural, já com os adoçantes o problema é que não obtemos essa tal resposta calórica do organismo, mas ele assume que acabámos de comer algo com açúcar por ter um sabor doce”, explica a nutricionista. “Ou seja, a dependência do açúcar vai estar sempre lá, mas alimentada por algo que é artificial e estranho ao organismo.

Ao falar de adoçantes artificiais, Iara Rodrigues refere-se a nomes como o xilitol, a sacarina, o aspartame, a sucralose, entre tantos outros que estão geralmente presentes nos rótulos das pastilhas adoçantes que compramos para colocar no café. Muitos deles, revela ainda à dobem., têm a capacidade de tornar as pessoas ainda mais dependentes de doces do que o açúcar. “O vício não saí do corpo porque lhe estamos sempre a dar o mesmo estímulo, a habituar o organismo ao sabor de algo que, muitas vezes, tem uma origem duvidosa. Mais do que isso, há alguns adoçantes artificiais que são mais fortes do que o açúcar, o que acaba por intensificar este vício.”

Para a nutricionista, o melhor não será optar por beber o café com adoçante nem com açúcar, mas sim simples. Bem sabemos, nem sempre é fácil, até porque a grande maioria dos cafés que consumimos têm um sabor bastante amargo, mas se for diminuindo gradualmente a quantidade de açúcar que vai colocando diariamente nos cafés, depressa se vai habituar a bebê-lo sem ter a necessidade de introduzir qualquer sabor doce, seja ele artificial ou não. 

A stevia pode ser uma alternativa, mas há que saber escolhê-la

Já sabemos que optar por beber café com adoçante artificial não é uma boa opção para o organismo, mas o que dizer da stevia, que é, supostamente, de origem natural? Para Iara Rodrigues, esta pode ser uma boa alternativa, mas nem todas as stevias do mercado são de confiança. 

“A stevia é de origem natural, vem de uma planta, mas já há várias que têm misturas”, revela a especialista. “É muito importante, ao escolher a stevia, ter atenção à sua origem, ler bem os rótulos e perceber se tem, ou não, misturas de outros adoçantes.

Tal como explicou à dobem., o ideal será ir à origem do problema eliminando, definitivamente, a vontade de consumir alimentos com um sabor doce, seja ele artificial ou não. No entanto, Iara Rodrigues não descarta algumas alternativas, desde que naturais.

“Usar stevia é uma opção, porque sendo um adoçante natural vai causar uma reação mecânica no organismo e não provoca repostas calóricas nem picos de reatividade”, explica. “O mesmo acontece com outros açúcares naturais, como o de coco, que também podem ser consumidos ocasionalmente. Uma boa sugestão, por exemplo, é que beba o café enquanto come uma tâmara.”