Leguminosas secas

Alimentação

Leguminosas enlatadas ou secas? Saiba quais as que deve consumir

As leguminosas enlatadas parecem ser a opção mais fácil, mas será que são a mais saudável? A nutricionista Iara Rodrigues explica.

Se há coisa que não falta na grande maioria das despensas são enlatados, pelos mais diversos motivos. Têm uma data de validade prolongada, são práticos de utilizar e podem servir como base para várias receitas. Mas afinal de contas, no caso das leguminosas, devemos consumir as enlatadas ou secas? A resposta não é linear e depende de pessoa para pessoa.

As leguminosas secas devem passar, inevitavelmente, por um processo de demolha. E se por um lado há quem considere esse processo fácil e até um hábito, por outro há quem prefira não o fazer por achar que consome demasiado tempo e dificulta o processo. Nesse caso, há quem recorra aos enlatados: abrir, retirar a leguminosa, consumi-la, e não menos importante, reciclar a lata. Mas a verdade é que, esta escolha poderá depender da frequência com que come leguminosas.

Apesar de as leguminosas serem uma proteína vegetal com bastante riqueza nutricional, há quem as consuma esporadicamente. Se for esse o caso, poderá efetivamente consumir as enlatadas — e até optar pelas de vidro ou pelas congeladas — pois o processo de demolha pode ser demorado. Já alguém que consuma este alimento frequentemente, no caso de vegetarianos ou veganos, será mais benéfico consumir as leguminosas secas.

É que nos enlatados, existem algumas perdas a nível nutricional. Tal como explica a nutricionista Iara Rodrigues, “sabemos que há sempre uma perda porque um enlatado pode ter uma duração de quase dez anos, portanto, alguma coisa que esteja numa lata durante tanto tempo tem que, naturalmente, sofrer algum tipo de perdas e aí vamos sempre pôr em causa a absorção e a viabilização desses nutrientes. Agora, não é uma perda massiva e não passa a ser um produto isento de nutrientes.”

No caso das leguminosas secas, este valor nutricional altera-se. É que as estas leguminosas são naturais e, por isso, apresentam mais vantagens. “Uma leguminosa seca, significa que está inativa. No momento em que é feita a demolha, há um processo de ativação. Então é como se aquela planta voltasse a nascer e a renovar. Isso faz com que o potencial de nutrientes que estes alimentos têm seja francamente maior”, explica a nutricionista.

Mesmo a nível financeiro, as secas são mais amigas da carteira. Comprar leguminosas secas ao quilo, por exemplo, é mais rentável não só em termos de preço, como também no número de doses que resultam dessa mesma leguminosa. E claro, não esquecer, que estaremos a reduzir no desperdício de latas e frascos.

Portanto, dependendo da frequência que consome leguminosas, poderá optar tanto pelas secas como enlatadas pois ambas são benéficas. Se estiver disposto a fazer a demolha: avance com as leguminosas secas. Como acrescenta a especialista, “idealmente, podemos sempre tentar privilegiar as secas, portanto, aquilo que é um processo mais antigo, que conserva não só melhor os nutrientes, como também vai de alguma maneira minimizar algumas das queixas mais frequentes no consumo de leguminosas como gases, por exemplo.”

Se sofre com gases, os especialistas deixam dois conselhos. O primeiro é que deixe as leguminosas a demolhar durante o máximo de tempo possível sendo oito horas o mínimo e 24 horas o ideal. Por outro lado, durante a cozedura, utilize alga kombu, já que ajuda a absorver alguns dos componentes que provocam a exacerbação da fermentação do intestino e que, por consequência, provocam gases.

Se consome poucas leguminosas e prefere optar pelos enlatados, tal como aconselha Iara Rodrigues, opte pelas que têm o menor número de ingredientes e que tenham um baixo teor de sal. Desta forma, certifica-se que tenta manter ao máximo a naturalidade do produto e tirar o máximo proveito a nível nutricional.