kefir

Alimentação

Kefir. O superalimento que ajuda a melhorar a saúde dos intestinos e a perder peso

Parece iogurte, mas tem um sabor mais azedo, uma consistência mais líquida, e muitos mais benefícios para o organismo.

Pense numa daquelas tendências que o foram há mais de 30 ou 40 anos e que voltaram a ser. Os chumaços, por exemplo, voltaram a estar na moda em 2020 mas já o tinham sido nos anos 70 e 80. Aconteceu o mesmo com o kefir. Tornou-se num dos alimentos mais procurados por quem queria ter uma alimentação saudável a partir de 2017, mas a realidade é que este alimento já existe há milhares de anos. 

A descoberta terá sido feita por pastores da zona do Cáucaso, entre a Europa Oriental e a Ásia Ocidental, que perceberam que ao transportarem leite fresco em bolsas de pele, o líquido transformava-se numa bebida efervescente. O que acontecia, na realidade, é que o leite, por ser rico em probióticos e bactérias, fermentava, transformando-se nesta bebida que, sem os pastores saberem, tinha — e continua a ter — inúmeros benefícios para o organismo. 

Hoje em dia, tal como explica a nutricionista Iara Rodrigues à dobem., o kefir é produzido de uma forma totalmente diferente, e bem mais controlada. 

“O kefir obtém-se a partir da adição dos grãos de kefir a leite ou a água com açúcar mascavado. Estes cereais são uma colónia de microrganismos simbióticos formada por bactérias e por leveduras”, diz a nutricionista, avançando ainda que ao misturar estes grãos ao leite ou água açucarada, por si só compostos por proteínas e polissacarídeos, ou seja, açúcares complexos, desencadeiam um processo de fermentação

Estes grãos, continua a explicar Iara Rodrigues, são partículas brancas e gelatinosas que se assemelham a bolbos de couve-flor, que são também chamados de flor de iogurte, e que geram um produto que em muito se assemelha a um iogurte, mas muito mais poderoso a nível nutricional. 

“Ambos são constituídos a partir de produtos lácteos e apresentam proteína, cálcios e vitaminas na sua composição. No entanto, o kefir é um pouco mais azedo, menos consistente e constituído por uma maior diversidade em termos de bactérias e leveduras”, garante a especialista. “Isso faz do kefir um produto com maior poder probiótico e com mais benefícios a nível nutricional, quando comparado a um iogurte natural.”

Por outro lado, e apesar de ser um produto lácteo, o kefir tem um teor de lactose muito mais reduzido em relação ao iogurte, até porque pode ser criado a partir de água açucarada. É também por isso que acaba por ser um produto mais leve e fácil de digerir, o que também provoca no organismo uma maior disponibilidade para absorver outros nutrientes. Por isso, mesmo que sofra de uma ligeira intolerância à lactose, pode consumir kefir.

Menos inchaço, inflamação e calorias

Ao ser um produto fermentado, o kefir vai retirar muitos dos benefícios dos alimentos que passam por este processo, que ocorre maioritariamente pela ação de microorganismos que, neste caso, são introduzidos no leite ou na água. 

“Durante este processo, esses microorganismos utilizam os hidratos de carbono naturalmente presentes no alimentos para produzir o ácido láctico, o dióxido de carbono ou até mesmo álcool. São estes elementos que depois geram o alimento fermentado.”

Os japoneses chamam aos alimentos fermentados o “segredo para a longevidade”, e a verdade é que, quando falamos de kefir, são vários os benefícios associados que podem melhorar a nossa qualidade de vida. 

Iara Rodrigues explica que as bactérias boas presentes nos grãos de kefir, e consequentemente no produto final, melhoram a digestão e aceleram o trânsito intestinal. O resultado será a diminuição da prisão de ventre e da produção de gases. São também essas bactérias que combatem as inflamações do intestino ou atenuam os seus sintomas. “Ter a flora intestinal saudável é o principal fator para evitar estas doenças”, garante a especialista. 

É também por melhorar a flora intestinal que o kefir tem a capacidade de fortalecer o sistema imunitário, já que impede a infeção por microorganismos através do intestino. A longo prazo, um sistema imunitário fortalecido ajuda a evitar várias doenças, especialmente doenças inflamatórias, o que pode dar mais anos de vida. 

A nutricionista adianta ainda que o consumo de kefir pode ajudar a evitar ou melhorar a osteoporose, graças à sua riqueza em cálcio e que, de forma indireta, pode ajudar num processo de perda de peso, “por ser rico em proteínas e baixo em calorias”, sendo que uma dose de 175 mililitros de kefir contém cerca de 100 calorias.

Como introduzir o kefir na alimentação?

O kefir pode ser encontrado em várias superfícies comerciais, e já o encontra disponível em vários sabores e pronto a consumir, como se fosse um iogurte líquido. Mas nem sempre é fácil acostumar-se ao sabor mais ácido deste fermentado.

“O sabor pode parecer estranho ao início”, diz Iara Rodrigues. “Por isso aconselho a começar a comer um pouco de cada vez e não desistir. É importante pensar no que se tem a ganhar ao consumir este superalimento.”

A nutricionista aconselha a que consuma entre 125 e 200 mililitros por dia, o equivalente a um iogurte líquido. Pode tomá-lo simples, misturado com frutas ou até mesmo adicionar a um sumo ou um batido. Se gostar de smoothie bowls, pode adicionar um pouco de kefir ao preparado e misturar com sementes, mel ou frutos secos.