pizzas de fermentação lenta

Alimentação

Experimentámos as pizzas de fermentação lenta do Sophia — e estamos prontos para repetir

Fãs de pizzas e de comida, no geral, rumámos até ao Cais do Sodré para provar estas novas sugestões feitas com ingredientes naturais, e quase trouxemos um Tiramissu para casa.

Italianos em Lisboa não são, propriamente, uma novidade. São cada vez mais os restaurantes que se especializam nesta cozinha e alguns fazem-no com mais sucesso do que outros. O que talvez não seja tão comum é encontrar um restaurante italiano que tenha opções mais saudáveis — e naturais — do que o habitual. E quando o Sophia, que abriu há algumas semanas bem perto do Mercado da Ribeira, em Lisboa, nos prometeu pizzas com massa de fermentação lenta, ficámos intrigados.

Não tardou muito até conseguirmos marcar um dia para jantar e, curiosamente, escolhemos um dia relativamente tranquilo. Portugal tinha acabado de defrontar a Hungria naquele que seria o seu primeiro jogo no Euro 2020. Como verdadeiras fãs de futebol que somos, eu, Ana Gordo, e a Marta Candeias, que me acompanhou neste jantar, esperámos pelo final do jogo para irmos jantar, e depois de uma vitória com três golos estávamos realmente bem dispostas. Mal sabíamos, naquele dia, que Portugal viria a ser eliminado da competição quase duas semanas depois.

Questões futebolísticas à parte, quando chegámos ao Sophia foi como se estivéssemos a entrar na casa das nossas avós. O papel de parede florido, as estantes metálicas em tons de verde e até os sofás e cadeiras em veludo rosado transportavam-nos para outro lugar. Sentimo-nos em casa, tanto que estivemos mais de três horas no restaurante, mesmo depois de termos terminado os nossos pratos.

O restaurante ainda estava relativamente vazio quando chegámos, pouco depois das 19 horas. Sentámo-nos e fomos recebidas com pratos, talheres e um cesto de foccacia de batata doce feito em croché, e que também ele nos fazia lembrar a casa das nossas avós. Na verdade, a minha avó tinha um cesto como aqueles, que provavelmente tinha sido feito pela mãe dela e que só era usado em ocasiões especiais, para evitar que se estragasse. “Fica para o vosso enxoval”, dizia quando abrimos os armários e o tentávamos usar para enfiar guardanapos.

A foccacia de batata doce veio acompanhada por beringela assada, molho de pimentos e tomate. Tudo caseiro, como nos explicaram as funcionárias do Sophia com quem nos fomos cruzando durante o jantar. Na verdade, tudo o que é feito no Sophia é feito ali mesmo, naquela cozinha.

“As receitas são mesmo inspiradas pela avó”, revela o chef João Novo. “A carta do Sophia é inspirada num livro de receitas de família, já com três gerações. Essas mesmas receitas antigas são inspiradas, mas atualizadas à luz da criatividade, ousadia e crenças da própria Sophia.

As pizzas de fermentação lenta do Sophia

Mas, afinal, quem é a Sophia? Nunca chegámos a saber. Aquilo de que temos a certeza é de que a Sophia existe, e que o livro de receitas da sua avó, Isabella, foi a base para criar todas as receitas que aqui podemos provar. Entre elas, estão, claro, as pizzas feitas com massa de fermentação lenta, que nos levaram até ao Cais do Sodré.

Antes, claro, passámos pela entrada, uma salada que, tal como diz a Marta, estava “incrivelmente bem servida (sim, é possível as palavras ‘salada’ e ‘bem servida’ coabitarem no mesmo prato), e bem apresentada. Vem com legumes cozinhados na perfeição.”

O prato a que nos referimos é a Salada de legumes grelhados com pesto de rúcula e abacate (13€). Sendo a Marta vegan, pedimos que o pesto viesse servido à parte para que o pudéssemos provar, caso quiséssemos. Não que não fosse saboroso, até porque também é caseiro, mas a salada tinha um sabor ótimo por si só.

Quanto às pizzas, a Marta pediu “A Minha (Sophia)”, com legumes grelhados, tomate, beringela, pasta de azeitonas e alho (15€). A pizza tem também parmesão e mozzarella, mas sendo ela vegan, optou por pedir que retirassem estes ingredientes, um pedido que foi recebido sem qualquer surpresa. Já eu escolhi uma opção mais básica, a “Gio meu filho” (15€), com burrata trufada e rúcula.

Como todas as pizzas, também estas são feitas com massa de fermentação lenta, que, como explica o chef, “tem mais sabor, é mais saudável e torna-se menos pesado no estômago para quem opta por este tipo de massa”. A do Sophia é preparada com uma base de água de maçã, que vai sendo alimentada com farinha e que é, depois, utilizada para criar a massa fina e saborosa que chega até à mesa.

Explica a Marta, e bem, que é “muito comum associarmos as pizzas a fast food e ao chamado ‘dia da asneira’, onde o prazer de uma boa refeição termina logo após a última garfada (para quem não a come à mão, claro). Erradamente ou não (cada um sabe de si e a Sophia agrada a todos), o que é facto é que ler ‘fermentação natural’ é meio caminho andado para sairmos de lá mais leves. Isso e saber que há uma preocupação com os ingredientes, claro. Num espaço onde não há mesa para o que é refinado e processado, muitas são as opções que fazem as delícias dos vegetarianos. E veganos, que a disponibilidade para adaptar os pratos é imediata.

A pizza da Marta não levou qualquer tipo de queijo e, por isso, fomos advertidas pela funcionária — que tão calorosamente nos recebeu —, que talvez fosse um pouco mais seca do que seria de esperar. Contudo, a pizza não desiludiu. O mesmo posso dizer da minha, que vinha bem recheada de folhas frescas de rúcula e pedaços de burrada onde o ligeiro sabor a trufa fazia toda a diferença. Difícil era, mesmo, deixar alguma fatia no prato, mesmo que as últimas já tenham sido comidas por gula, e não por fome.

No final da refeição, e apesar de já estarmos com a barriga bem cheia, ficou ainda espaço para provar uma Pannacotta de Iogurte e frutos do bosque (5€). Prometia a funcionária, e bem, que não nos íamos arrepender. O simples facto de a Pannacotta ser feita com iogurte, e não com natas, tornou logo aquela sobremesa bem mais leve do que seria de esperar.

Com pena, não provámos o famoso Tiramissu da Nonna (5,50€), do qual já nos tinham contado maravilhas. Mas ainda o vimos sair da cozinha, numa grande travessa florida e funda, que o doce ocupava quase por completo. Se o tivéssemos pedido, o mais provável era que grande parte tivesse vindo connosco para casa. A pedir, que seja para dividir, porque é mais do que suficiente para duas pessoas.

No final, e ao sairmos da mesa, embora tivéssemos vontade de ficar durante mais umas horas, já quase todas as mesas do Sophia estavam ocupadas. A mesma funcionária que, até aqui, nos tinha estado a receber, despediu-se com um “além de simpatia, não preciso de mais nada”, o que nos deixa mais do que à vontade para dizer que, em breve, voltaremos ao Sophia. Quando mais não seja porque pratos como a Polenta de legumes com trufa, parmesão e rúcula (13€) ou o Polvinho com batata doce, tomate assado, balsâmico e manjericão (21€), nos deixaram de água na boca.

Mais do que isso, queremos, um dia, conseguir realmente descobrir quem é esta Sophia, para ela própria nos contar a história da sua avó Isabella, que tantas receitas inspirou.

Sophia Natural Italian

Morada: Praça Dom Luís I, 34, Cais do Sodré, Lisboa
Horário: Todos os dias das 12 às 15h30 e das 19 às 22h30
Telefone: 210 499 710