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Alimentação

É bio, natural, vegan, zero waste. O Kitchen Dates já abriu e já faz parte do meu mundo

Depois de servirem brunches vegan IncríBeis em casa durante dois anos, o Rui e a Maria têm uma casa nova em Telheiras.

Se há coisa que me deixa realmente feliz é ver pessoas de quem gosto serem bem sucedidas. Mas muito mais do que vê-las a ter sucesso gosto de saber que, para lá chegarem, arriscaram, tomaram decisões e saíram da sua zona de conforto. Por esse motivo, a Maria e o Rui são duas pessoas inspiradoras para mim. Começaram a servir brunches vegan quando ainda estavam a morar em Amesterdão, na Holanda. Depois, trouxeram a ideia para Portugal quando regressaram. Confesso que, por muito que os adore, nunca tive oportunidade de experimentar o tão falado brunch dos Kitchen Dates.

A vida tem destas coisas, e como estou quase sempre a trabalhar ao fim de semana, que é quando eles organizavam estes eventos em casa, nunca consegui ir. Mas em todas as viagens que fizemos juntos, o Rui e a Maria estavam ao meu lado na hora de preparar os grandes banquetes dos maratonistas. Por isso posso dizer com toda a certeza que eles sabem o que fazem.

Há tempos estive em casa deles a perceber como é que funciona isto da cozinha sem desperdício — recordem esse artigo aqui — e a verdade é que eles sabem como aproveitar tudo. Nem as cascas do melão escapam e vão direitas para aromatizar uma água. Escusado será dizer que a casa deles se tornou demasiado pequena para a quantidade de gente que queria experimentar a comida vegan maravilhosa que eles preparam, por isso, abriram um restaurante.

Chama-se Kitchen Dates, como não podiam deixar de ser, e fica em Telheiras, mesmo ao pé da Escola Secundária Vergílio Ferreira. E apesar de se chamar restaurante, quando entrarem vocês vão sentir que estão a chegar a casa deles, tal como acontecia com os brunches vegan que serviam antes.

Como não podia deixar de ser, fui conhecer a nova casa dos Kitchen Dates, e assim que cheguei percebi que, realmente, é como se estivéssemos em casa. A mesa comprida dá lugar a toda a gente e as estantes com livros e fotografias das aventuras do Rui e da Maria recordam os cantinhos aconchegantes lá de casa. Atrás dessa tal mesa fica a cozinha, totalmente aberta para que toda a gente possa ver o que se está a passar lá dentro, tal como acontecia na casa de Campo de Ourique.

Ainda antes de este projeto ter nascido, o Rui e a Maria já me tinham falado nos sete princípios que queriam seguir neste restaurante, e a verdade é esta, pelo que vi, estão mesmo a cumprir tudo à risca. Ora espreitem:

Economia Circular. Tudo o que entrar pela porta do restaurante tem de ser consumido, reaproveitado ou transformado em composto — e é por isso que eles têm a Eva, uma máquina de compostagem elétrica. E agora vocês perguntam “mas porque é que se chama Eva?”, e o Rui explicou-me que é inspirado na personagem do “WALL-E”, o filme da Disney, que tem a missão de encontrar sinais de vida na terra.

 

100% vegetal. Todos os alimentos preparados no restaurante são totalmente vegan, não tem qualquer ingrediente de origem animal, mas sempre com muito sabor e carregados de nutrientes.

Local. Os ingredientes utilizados vão ser comprados a produtores locais, normalmente num raio máximo de 50 quilómetros. Sendo que, como me explicou a Maria, “o mais longe onde estamos a ir é a Trás-os-Montes, onde vamos buscar alguns produtos como cereais ou frutos secos.”

Além disso, a decoração também foi pensada em projetos nacionais. A mesa é do Vasco, do Barracão, “e foi feita com desperdício de mesas de outros restaurantes de Lisboa”, disse-me a Maria. A loiça e os candeeiros da sala são da Lídia, do Hugo e do Sr. António da BePolar, e é feita com barro nacional por um oleiro à moda antiga, os guardanapos foram feitos com desperdício têxtil pela Catarina da Lovemade at Home by Cat, os aventais que vieram da Hibridae, os detergentes a granel da EcoX e até as facas foram forjadas artesanalmente pelo Diogo da Gume Afiado, que reaproveitou madeira de oliveira apanhada à beira da estrada para fazer os cabos.

Sazonal. “Tudo tem o seu tempo e temos de saber esperar pela altura certa”, escrevem os Kitchen Dates no Instagram, e é verdade. É por isso que, na sua nova casa, só vão entrar produtos da época.

Sem Embalagens. Os frescos chegam em caixas, o azeite numa cuba, a amêndoa em sacas de ráfia e serapilheira, tudo reutilizável. Aqui não entram embalagens e, muito menos, plástico de utilização única.

Biológico. Todos os ingredientes têm certificação biológica do fornecedor e, por isso, são mais saudáveis e nutritivos.

Transparente — O Rui e a Maria comprometem-se a ser totalmente transparentes com os seus seguidores, e como escreveram no Instagram, “quando por alguma razão não conseguirmos evitar gerar lixo, vamos partilhar essas frustrações”, porque também isso faz parte da experiência, não é verdade?

São sítios e pessoas como estas que me inspiram todos os dias, e se até agora nunca tinha tido oportunidade de experimentar o incríBel brunch vegan dos meus Kitchen Dates, agora não tenho mais desculpas.

Não me canso de dar os parabéns ao Rui e à Maria, e certamente que em breve vamos partilhar esta mesa juntos, como se estivéssemos em casa. A verdade é esta, este já é um dos sítios no meu top 3 dos melhores espaços para comer comida honesta.