Alimentação

Afinal, qual é a diferença entre os probióticos e prebióticos que têm tantos benefícios para a saúde?

A kombucha tem dado que falar e os clássicos iogurtes a suscitar dúvidas. Afinal, quais é que têm pro ou prebióticos? Respondemos a tudo.

“Contém cultivos vivos do leite fermentado que são probióticos” ou “com fermentos naturais”, são, sem sombra de dúvidas, duas expressões que certamente já ouviu na televisão em anúncios de iogurtes. Contudo, o mais provável é que lhe tenham passado ao lado porque basta falar em probióticos para a cabeça ficar confusa.

É que a palavra probióticos é tão parecida com prebióticos, que no fim de contas já não sabemos a funcionalidade de cada um, nem em que alimentos estão presentes.

Para esclarecer todas essas dúvidas, a dobem. foi à procura de respostas junto da nutricionista Mafalda Serra, que no Instagram dedica várias publicações a esclarecer temas e mitos relacionados com a alimentação (e, aqui entre nós, os probióticos e prebióticos estavam guardados para a dobem.).

Qual a diferença entre um probiótico e um prebiótico?

“Os probióticos são microrganismos vivos que, ao serem consumidos em doses específicas, têm benefícios para a nossa saúde. Por outro lado, os prebióticos são componentes alimentares não digeríveis que estimulam seletivamente o crescimento e a atividade desses mesmos microrganismos”, começa por explicar Mafalda Serra.

“De uma forma muito simplificada, podemos pensar nos prebióticos como o ‘alimento’ das bactérias probióticas”, conclui.

No fundo, podemos perceber que um não vive sem o outro, tal como, por exemplo, os legumes semeados na terra não crescem sem que lhes dêmos água.

Do mesmo modo que os legumes e a água entram na nossa alimentação de formas diferentes, também os probióticos e prebióticos chegam até nos em diferentes formatos, embora ambos contribuam para um mesmo fim: o bom funcionamento intestinal.

Vamos falar de kombucha

Se há nome que no último ano ficou quase tão célebre como se de uma celebridade se tratasse é a kombucha. Começámos a vê-la em lojas de produtos saudáveis, nos supermercados, depois nas cartas de restaurantes e também pelas redes sociais começaram a surgir marcas a mostrar o seu produto, e até como se faz — processo esse que é bastante curioso. Veja um exemplo.

Além da kombucha, há outros exemplos no grupo dos probióticos: o miso e os iogurtes — constituídos por bactérias com características probióticas, a Lactobacillus bulgaricus e a Streptococcus thermophilus.

“Tanto os iogurtes, como a kombucha são alimentos fermentados que possuem bactérias com características probióticas. Porém, estes alimentos que contém probióticos são sujeitos a um processo de produção, distribuição e armazenamento que podem alterar a quantidades e estirpes de microrganismos presentes no produto final”, como os iogurtes que chegam às prateleiras do supermercado, explica Mafalda Serra.

Por esta razão, é incerto dizer que quantidade de iogurtes ou de kombucha são indicadas para tirar todo o benefício destes microrganismos vivos.

“Para ter a eficácia de um alimento probiótico, o número de bactérias deve estar viável, ativo e abundante até o final do prazo de validade”, refere Mafalda Serra, acrescentando que no caso da kombucha o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) indica que é seguro consumir 120 ml de kombucha por dia. “No entanto, por via das dúvidas, consulte sempre primeiro um profissional de saúde”, alerta.

Contudo, mesmo que não sejam consumidas as bactérias necessárias ao organismo, uma vez que “ainda não é possível compreender na totalidade se as doses presentes nestes alimentos trazem efetivamente benefício ou não”, a nutricionista destaca que os probióticos acabam sempre “por contribuir para a diversidade da nossa flora intestinal”.

E por onde é que anda o alimento dos probióticos: os prebióticos? “A inulina, os frutoligossacáridos, os galactooligossacáridos e a lactulose são exemplos de prebióticos. Estes podem ser encontrados em alimentos como o trigo, a cebola, o alho, o alho-francês, as bananas ou o mel”, diz a nutricionista à dobem.

Que outras vantagens têm os probióticos e prebióticos?

Sabemos que os probióticos e prebióticos ajudam na saúde intestinal, mas esta não se resume ao problema que melhor conhecemos: obstipação.

Falar em bom funcionamento intestinal é também sinónimo de ausência de sintomas como diarreia, flatulência ou sensação de inchaço abdominal (e sim, é mesmo uma realidade e não uma desculpa para o pneu que não queremos assumir).

Mas os probióticos e prebióticos podem fazer mais do que isso. “Podem ter efeitos positivos no reforço do sistema imunitário e na melhoria da absorção de nutrientes”, afirma a nutricionista Mafalda Serra.

No entanto, em caso de desespero, seja por razões do trato intestinal, ou porque quer reforçar o sistema imunitário para evitar ficar doente, há um aspeto a ter em conta: moderação.

“Alguns estudos reportaram que o consumo inadequado de probióticos, quer seja por excesso, quer seja por estar a ser tomado em indivíduos mais suscetíveis, pode apresentar riscos como efeitos gastrointestinais colaterais, infeções, produção de substâncias nefastas pelas bactérias probióticas ou estimulação imunológica excessiva em indivíduos suscetíveis”, alerta a especialista em nutrição e não fica por aqui.

“Para além da quantidade, é importante tomar atenção também à qualidade. Alguns suplementos, após controlo de qualidade, apresentaram outros microrganismos na sua composição que não aqueles discriminados no rótulo”, revela Mafalda Serra.

A procura por suplementos acontece quando algumas pessoas procuram alternativas com probióticos e prebióticos em busca de uma solução para sintomas gastrointestinais, por exemplo, mas a toma deve ter sempre como base a opinião de um nutricionista competente ou profissional de saúde.

“Ainda há muito a estudar em relação à toma destes suplementos, e nem todos os suplementos do mercado têm benefícios comprovados”, termina a especialista.