Alimentação

Carne vermelha, baixo consumo de cereais integrais e sal. Conheça os inimigos de mais anos de vida saudável

Um novo estudo alerta para o impacto de uma alimentação desequilibrada na saúde. Doenças, vulnerabilidade à COVID-19 e risco de morte são os principais perigos.

Há muito que sabemos os alimentos que devemos evitar comer frequentemente, no entanto, só ficamos em alerta quando surgem dados que comprovam os perigos. É o caso do estudo Global Burden of Disease (GBD), lançado no passado 15 de outubro pela conceituada revista cientifica “The Lancet“, que revela que os maus hábitos alimentares foram, em 2019, o quinto fator de risco que mais contribuiu para a perda de anos de vida saudável.

Entre os hábitos alimentares com consequências mais negativas está o elevado consumo de carne vermelha, o baixo consumo de cereais integrais e a elevada ingestão de sódio, segundo o relatório anual do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS), publicado este sábado, 31 de outubro, pela Direcção-Geral da Saúde (DGS).

Mas há mais: os hábitos alimentares desequilibrados são ainda o quarto maior fator de risco de morte. E não pense que é apenas por obesidade. A alimentação é mais do que um número na balança e quando não está em equilíbrio pode contribuir para doenças do aparelho circulatório, diabetes, doenças renais e neoplasias.

Por isso, o melhor é continuar ou começar a afastar da mesa os hambúrgueres recheados de molhos e as bolachas carregadas de açúcar. E sabe aqueles amendoins de pacote que parecem inofensivos? Afinal, são só um fruto seco, certo? Mas esqueça, porque são um atentado à saúde pelo elevado teor de sal adicionado.

O relatório anual do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS) da DGS reflete ainda sobre a campanha “Comer melhor, uma receita para a vida”, lançada em novembro de 2019, que teve como objeto incentivar os portugueses a ter uma alimentação e vida saudável e a aumentar o consumo de alguns alimentos pouco valorizados, como é o caso da fruta, hortícolas, leguminosas e água.

Os resultados? De acordo com o que foi apurado através de um inquérito, cerca de 20% das pessoas que viram a campanha “reportaram ter modificado as atitudes/comportamentos face ao consumo de fruta, hortícolas, leguminosas e água”.

Ainda assim, após a divulgação do relatório, a Ordem dos Nutricionistas mostrou-se preocupada com os dados que revelam que os hábitos alimentares dos portugueses contribuem para a perda de anos de vida saudável e apelou a “uma ação governamental imediata”. Isto porque, defendem, os maus hábitos não só contribuem para doenças que diminuem os anos de vida saudável, como são uma agravante num quadro de pandemia.

“Estas doenças são, inclusive, fatores de risco para a COVID-19 e não podem, em momento algum e perante esta crise pandémica, ser secundarizadas”, afirmou Alexandra Bento, bastonária da Ordem dos Nutricionistas, num comunicado enviado às redações.

Para já, as únicas medidas em vista foram divulgadas na conclusão do documento da DGS. Neste pode ler-se que o Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS) vai continuar a apostar em “medidas que procurem facilitar escolhas alimentares saudáveis a todos” e que pretende “melhorar a organização dos serviços de saúde”.

O objetivo é que estes estejam habilitados para prestar os devidos “cuidados nutricionais, em ambientes cada vez mais incertos, como é o caso da atual situação pandémica ou das alterações climáticas e seus impactos associados na cadeia alimentar e saúde humana”, termina o relatório.