batata-doce ou batata branca

Alimentação

Frente a frente. Batata branca ou batata-doce, qual delas é a mais saudável?

Com a batata-doce a tornar-se tendência, muitas pessoas cortaram a batata tradicional da lista, mas será que foi a escolha correta? Conheças as diferenças.

DOBEM.
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Se abriu este artigo, o mais provável é que esteja à espera de, logo nas primeiras linhas, encontrar uma resposta linear. E, provavelmente, até é daqueles que acredita que a batata-doce é o Santo Graal da alimentação e que qualquer outro tipo de batata deve ser eliminado de vez da cozinha. Lamentamos informar, caro leitor, mas nisto da alimentação, nem sempre as respostas são assim tão claras como possa parecer. E a resposta à pergunta “qual é a batata mais saudável? A batata branca ou a batata doce?”, requer alguma explicação.

Com isto em mente, e porque este é daqueles temas que ainda gera discussão e, depois de termos explicado se o abacate era mais saudável do que a banana, fomos perceber, afinal, qual destas batatas é a mais saudável. A resposta certa? Lamentamos desiludir, mas depende.

Há um facto inegável: a batata-doce tem um índice glicémico menor em relação à batata branca. Porquê? Como explica a nutricionista Tatiana Pinheiro, “a batata branca tem hidratos de carbono simples, que são de absorção mais rápida, enquanto a batata-doce tem hidratos de absorção mais lenta”.

A batata-doce apresenta cerca do dobro da porção de fibra do que a batata tradicional, e a tabela comparativa da composição dos alimentos do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge prova isso mesmo. Essa mesma fibra é que acaba por conferir o índice glicémico baixo e um maior controlo glicémico “porque a presença da fibra na alimentação acaba por retardar o esvaziamento gástrico, o que também leva a uma sensação de saciedade mais prolongada”, acrescenta a especialista.

Isto faz com que o consumo de batata-doce seja indicado para pessoas que tenham, por exemplo, diabetes, para poderem ter um índice glicémico mais controlado. Contudo, não significa que tenham de abdicar da batata normal.

“Este fator do índice glicémico teria importância se a batata fosse ingerida a nível individual. Nós normalmente ingerimos a batata acompanhada de outras fibras, como uma gordura ou proteína, e todos estes outros componentes reduzem o índice glicémico da refeição, e por consequente da batata. Portanto este fator do índice glicémico acaba por não ser assim tão determinante para dar preferência a uma batata em impedimento da outra”, acrescenta a nutricionista.

O que podemos concluir é que, na alimentação, deve haver diversidade e equilíbrio. Ou seja, isso significa que deve consumir os dois tipos de batata regularmente, para conseguir retirar os benefícios presentes em cada uma delas.

É que enquanto a batata-doce é rica em betacaroteno, o chamado de pró-vitamina A que, ao ingerirmos, vai fazer com que o corpo produza Vitamina A), a batata normal contém potássio e proteína. Portanto, “uma tem sempre mais qualquer coisa e outra menos. Todos os alimentos trazem-nos vitaminas, minerais e macronutrientes diferentes, e é por isso que devemos introduzir todos na nossa alimentação”.

Contudo, há outro detalhe que não deve ser esquecido: a quantidade e a forma como confeciona, tanto uma como outra, será um fator determinante para o consumo deste alimento. Evite comer qualquer uma destas batatas frita, para evitar o consumo excessivo de óleos e outros ingredientes processador. Se gosta mesmo de batatas crocantes, experimente assar no forno ou até mesmo desidratar, para fazer chips de batata.