Alimentação

5 coisas que aprendemos sobre macrobiótica com o novo livro de Geninha Varatojo

Procurar o equilíbrio através da alimentação é o objetivo da cozinha macrobiótica e, no seu novo livro, a diretora do Instituto Macrobiótico de Portugal explica como o podemos fazer.

Há muito tempo que a nossa alimentação deixou de ser vista apenas como aquilo que ingerimos e passou a ser vista como algo que influencia tudo em nós. Não só a saúde física, como também a mental. E é sobre isso mesmo que Geninha da Horta Varatojo, especialista em alimentação macrobiótica e diretora do Instituto Macrobiótico de Portugal (IMP), se foca no seu novo livro, “Tudo o que comemos conta”

A alimentação macrobiótica surge como uma forma de estar na vida que procura o equilíbrio entre o nosso lado mais yin (gentil, refletido e estético) e yang (ativo, dinâmico e extrovertido), que pode ser alcançado através da escolha certa dos alimentos no nosso dia a dia. A premissa é simples: responder aos nossos estados de espírito através dos alimentos. Se nos sentirmos mais cansados, convém optar por uma refeição mais energética e nos momentos de maior nervosismo optar, por exemplo, por uma bebida calmante.

Geninha Horta Varatojo é uma das maiores impulsionadoras da cozinha macrobiótica no nosso País. Além de diretora do Instituto Macrobiótico de Portugal, fundou também o Instituto Kushi de Portugal, em conjunto com o marido, Francisco Varatojo, que perdeu a vida num acidente de mergulho em 2017.

Autora de vários livros ligados ao universo da alimentação macrobiótica, Geninha, lançou “Tudo o que comemos conta”. Editado pela Lua de Papel, o novo livro, explica a essência desde estilo de vida e que sugere mais de 100 receitas vegetarianas e vegans, que vão desde as sopas às sobremesas, passando pelas bebidas. Receitas ideais para quem pretende iniciar esta nova etapa adotando uma alimentação mais equilibrada ou para quem já a segue mas pretende aprofundar o conhecimento.

A alimentação macrobiótica padrão deve ser adaptada às diferentes épocas do ano e à condição e constituição física de cada pessoa e, para saber exatamente como ela funciona, nada como ter uma verdadeira enciclopédia que nos ensina o essencial sobre este estilo de vida. Depois de lermos o livro de uma ponta à outra, reunimos cinco coisas que aprendemos com o novo livro de Geninha Horta Varatojo.

1. Os conceitos Yin e Yang

Provavelmente estas são palavras desconhecidas para a maioria das pessoas, mas Geninha desmistifica o seu significado. Muito utilizadas pelos povos orientais, estas designações estão ligadas à constante mudança do universo, que, aqui, são utilizados para classificar os alimentos ou as formas de cozinhar.

Os alimentos mais yin expandem as células, tecidos e órgãos do nosso corpo, enquanto que os alimentos mais yang, têm um efeito de contração. Os alimentos de origem animal ou o excesso de sal, que levam à contração do tecido do nosso corpo e fazem subir a temperatura corporal, inserem-se na categoria dos yang. Dos yin, fazem parte as frutas ou os doces, que produzem maior expansão e que, por isso, fazem baixar a temperatura corporal.

Emocionalmente, estes dois tipos de alimentos também nos podem afetar e é essencial que haja um equilíbrio entre os dois pólos. Por este motivo, devemos evitar “alimentos extremos” e optar por uma alimentação mais equilibrada à base de cereais integrais, vegetais, leguminosas, algas, sementes, oleaginosas e fruta da época.

2. A importância dos cereais integrais

Os cereais integrais ganham um grande valor na cozinha macrobiótica que refere que cerca de 40% da nossa alimentação deveria consistir neste tipo de alimentos cozinhados. Em contrapartida, para um melhor funcionamento dos intestinos, devemos evitar o consumo de farinhas e cereais processados.

O arroz integral é o mais utilizado neste tipo de alimentação tendo em conta o equilíbrio entre hidratos de carbono, proteínas e minerais. A forma de o cozinhar influencia também o facto de se tornar mais yin ou mais yang.  Se for cozinhado em panela de pressão, o cereal torna-se mais concentrado e, por isso, mais yang. Já na panela normal, ele fica mais yin, sendo esta a forma mais indicada de cozedura para, por exemplo, os meses de verão

3. A riqueza das algas

Provavelmente nunca pensou em consumir algas às refeições, mas estas são um dos melhores acompanhamentos devido às propriedades que contêm. São ricas em fibra, cálcio, ferro, proteína, vitamina A, vitamina C e outros minerais que fortalecem o sistema circulatório e urinário e ajudam na elasticidade das artérias.

O facto de serem ricas em cálcio, torna-as excelentes para as gengivas, dentes e toda a estrutura óssea do nosso corpo. São também boas para o cabelo, realçando a sua cor.

Mas vamos a nomes. Kombu, hiziki, aramé, wakamé, nori e ágar-ágar são exemplos das que pode encontrar facilmente em lojas de produtos naturais. São fáceis de cozinhar e pode ser consumidas tanto simples, como salteadas, em tempura ou com vegetais ou tofu. Os benefícios que trazem para a saúde faz com que sejam indispensáveis na nossa alimentação.

4. As bebidas vistas como um remédio caseiro

Ter sede muitas vezes ao dia pode significar que estamos a fazer refeições demasiado salgadas, a descurar alimentos frescos ou a consumir demasiados produtos de origem animal. A falta de frescura da alimentação pode tornar-nos mais yang e um dos sintomas pode ser a sensação de secura que o organismo irá tentar de imediato reequilibrar.

Evitar consumir líquidos durante as refeições é uma dica essencial pois a ingestão dos mesmos interfere com a digestão dos alimentos.

A bebidas quentes, como os chás aromáticos, medicinais, infusões ou café de cereais, ajudam a limpar e a equilibrar as funções do organismo enquanto as as frias têm o efeito contrário.

Uma bebida bastante recomendada para consumo diário é o chá de três anos, também designado de “bancha”. rico em cálcio e vitamina C, é um potente antioxidante e um bom digestivo. Por outro lado, o chá de cevada é ideal para o fígado. Ambos são também indicados para quem se sente mais desconcentrado. Por outro lado, para momentos de maior tensão, Geninha recomenda chás aromáticos como os de camomila, tília, cidreira ou hipericão.

5. A importância de demolhar os cereais e as leguminosas

Os cereais e as leguminosas são ricos em ácido fítico, uma substância toxica e inibidora de enzimas, que protege o alimento mantendo as suas propriedades  nutricionais.

Ao serem demolhados iniciam um processo de germinação e ativação de enzimas o que faz com que os nutrientes, as proteínas, vitaminas e minerais se tornem biodisponíveis e de mais fácil digestão.  Juntar sumo de limão ou vinagre de arroz ajuda a acelerar o processo de eliminação dos fitatos.