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Alimentação

5 alimentos que podem estar a intoxicar o organismo

Alimentar o corpo é alimentar o bem-estar e para isso deve manter os processados longe. Ah, e o stress também. Uma nutricionista explica tudo.

Detox. Esta palavra tornou-se cada vez mais conhecida no universo do saudável, principalmente quando estamos a falar em alimentação e em períodos após festas como o Natal ou Ano Novo, ou qualquer altura do ano que nos permita alguns excessos. Metemos na cabeça que um detox é o suficiente para eliminar do corpo todos estes estragos e, para isso, aderimos aos sumos detox, aos shots detox, às sopas detox e a todas as modas do género. Mas, afinal, o que significa um detox?

“A ideia do detox não é funcionar como uma dieta para perder peso, mas sim fornecer todos os nutrientes necessários aos nossos órgãos de forma a promover a eliminação de toxinas do nosso organismo de uma forma saudável e diminuir a sobrecarga existente de um período de consumo excessivo e desregrado”, explica à dobem. a nutricionista Diana Dinis.

Ora, é aqui que entram as frutas, legumes, sementes e frutos secos, que muitas vezes fazem parte das receitas de sumos detox, uma vez que promovem o consumo desses nutrientes necessários. Mas estes “são os alimentos que devem ser a base da nossa dieta, e não apenas consumidos pontualmente”, alerta Diana Dinis e vai mais longe.

É que o verdadeiro detox para o corpo e ao qual nem precisamos de recorrer, nem sequer ter custos extra, é feito pelo o fígado. “Entre outras funções, ele trabalha para filtrar toxinas presentes nos alimentos ingeridos, bem como purificar o sangue das impurezas existentes e utiliza apenas os nutrientes necessários. Se está sobrecarregado, não irá funcionar na sua plenitude”, explica a especialista. E é aqui que está o problema: um organismo sobrecarregado com alimentos que nem são nutritivos, vulgo saudáveis, nem causam bem estar.

O que significa ter o organismo intoxicado?

Em vez de pensarmos em detox do organismo, vamos analisar as coisas por outro prisma: o que deixa o organismo intoxicado. Isto é, sobrecarregado com alimentos que não o nutrem, podendo originar sintomas como inchaço, flatulência, cansaço excessivo, falta de energia, excesso de peso, prisão de ventre, flatulência, colesterol elevado, hipertensão.

Alguns dos alimentos são óbvios, basta pensar no dia após uma noite com vários copos de vinho e fatias de pizza que comeu até perder a conta. Mas há muitos mais alimentos que podem ter influência no nosso bem-estar.

Vejamos, um por um, os alimentos a evitar destacados pela nutricionista Diana Dinis.

Carnes processadas

Salsichas, bacon, enchidos, fiambre ou enlatados. Este tipo de alimentos contém altos teores de açúcar, gordura e sal, bem como aditivos para realçar o sabor e conservar as carnes. Segundo o relatório da OMS, garante a nutricionista, sabe-se que estes tratamentos podem resultar na formação de compostos químicos cancerígenos.

Sumos e refrigerantes

Os sumos contêm elevadas quantidades de açúcar e mesmo que possuam fruta natural, não podemos comparar beber um sumo a comer uma fruta. Pior ainda são os refrigerantes, que são altamente calóricos e com elevados níveis de açúcar.

Comidas embaladas, fast food e bolos de pastelaria

Têm um alto teor de sal e gorduras, açúcar adicionado e são bastante calóricas.

Enlatados

Apesar de ser cada vez menos usual, ainda há enlatados cujo revestimento contém bisfenol A, substância prejudicial à saúde humana.

Bolachas, barritas de cereais e cereais

Poderão conter alto teor de sal e gorduras, açúcar adicionado.

Produtos diet ou light

Não são sinónimo de “saudável” e muito menos garantem o emagrecimento que tantos desejam. A maioria das vezes, para os produtos diet terem um sabor agradável, a lista de ingredientes é gigantesca, sendo que a maior parte destes são aditivos, sem qualquer beneficio nutricional.

Quanto aos produtos light, têm redução de, no mínimo, 30% de um dos nutrientes comparativamente ao produto convencional, no entanto, isso não significa que se posam comer à vontade e que não tenham na mesma ingredientes prejudiciais à saúde.

Contudo, apesar de ser importante tomar consciência de que estes alimentos são um alerta vermelho para um organismo inflamado, deve focar-se em atingir o equilíbrio, de acordo com a nutricionista. “Não gosto de falar em alimentos proibidos e permitidos. Gosto que as pessoas saibam o que estão a comer e sejam conscientes na sua escolha”, destaca, e acrescenta que estes alimentos podem ser incluídos pontualmente, mas não frequentemente.

Se ainda não tem o “chip” para detetar quais os rótulos alimentares que correspondem a alimentos mais nutritivos, uma forma de o saber é usar o “descodificador de rótulos” — uma ferramenta da Direção-Geral da Saúde (DGS) que pode levar para o supermercado impressa, em forma de print no telemóvel, ou fazer uma consulta rápida online para confirmar que leva tudo (ou quase tudo) o que corresponde aos parâmetros a verde.

E quando a culpa não é dos alimentos?

É verdade, não são só os alimentos que intoxicam o corpo. Quando se fala em estilo de vida saudável, não é apenas no que diz respeito ao que colocamos na mesa ou às caminhadas e corridas lá fora. É também saber parar e perceber os sinais do corpo.

“O stresse não só é responsável por determinadas alterações hormonais no nosso organismo, como, por exemplo, alterações no sono, que levam à desregulação da produção da leptina e grelina (hormona da saciedade e fome, respetivamente), bem como do cortisol (hormona do stresse)”, explica Diana Dinis.

Cria-se então um ciclo vicioso, uma vez que o stresse vai resultar em falta de motivação e, consequentemente, a situações de fome emocional e cansaço. O que é que acontece nestes momentos? Escolhas alimentares rápidas, pouco equilibradas, logo, inflamatórias.

Para contrariar esta tendência, a nutricionista sugere um conceito: mindfuleating. “Consiste em observar a nossa fome, saborear e desfrutar da refeição, comendo sem julgamento e em atenção plena”, e não em cinco minutos em frente ao computador, remata Diana Dinis.