alergia ou intolerância ao glúten

Alimentação

Sabe se tem alergia ou intolerância ao glúten? Descubra a diferença

Embora ambas as condições tenham restrições, uma delas pode ser fatal e até levar à morte. A Nutricionista Catarina Lopes explica.

Hoje em dia, já quase todos sabemos o que é o glúten. Se antigamente era algo difícil de excluir da alimentação, por existir pouca oferta no mercado, hoje a realidade é totalmente diferente. Já grande parte dos supermercados — se não todos — vendem produtos sem glúten, já sabemos que tipo de efeitos podemos ter no corpo ao retirá-lo da nossa alimentação, mas o mais importante ainda está para desmistificar: qual é a diferença entre ter alergia ou intolerância ao glúten?

Comecemos pelo início. O glúten é a proteína do trigo, e é ele que confere uma consistência mais viscosa e elástica às massas. No entanto, nem toda a gente se dá bem com esta proteína, e quando o nosso corpo nos dá sinais, o melhor é mesmo ouvi-lo. Em ambos os casos, existem alguns sintomas em comum, mas a alergia nada tem a ver com intolerância.

É que há de facto uma grande diferença entre estes dois regimes: enquanto um tolera minimamente esta proteína, o outro não pode, de maneira alguma, aproximar-se de vestígios de glúten. Torna-se então benéfico perceber a diferença entre alergia ou intolerância ao glúten.

Alergia ao glúten ou, por outras palavras, doença celíaca

A alergia ao glúten, também conhecida por doença celíaca, é uma alergia alimentar que, pode gerar uma reação do sistema imunitário. Esta inflamação crónica da mucosa intestinal acontece quando se consomem alimentos com glúten, mas também quando se tem contacto com alimentos que estiveram em exposição com esta proteína.

Tal como explica Catarina Lopes, nutricionista clínica, “quando a pessoa tem o primeiro contacto com o glúten ou tem a primeira reação, normalmente, não é uma reação exacerbada. Pode ser, por exemplo, uma cólica muito forte, uma dor abdominal, uma diarreia, uma obstipação, náuseas, vómitos, gases, perda de peso, isto pode ser derivado desta alergia. Só que, se a pessoa tiver tendência para continuar a consumir este alimento, o que pode acontecer é uma reação mais exacerbada e aí pode ter o que se chama de choque anafilático ou reação anafilática. É basicamente inchaço e ficar sem ar. Esse é o estado mais grave de uma alergia que até pode provocar a morte.”

Esta patologia deve ser diagnosticada por um médico, através de exames clínicos, e pode tender a aparecer quando há casos familiares, no entanto, não é algo hereditário. A doença celíaca pode também surgir em idade mais adulta o que, por vezes, pode dificultar o diagnóstico.

“Outra coisa que pode acontecer, em pessoas que têm inflamações crónicas ou outras doenças autoimunes, é desenvolver a doença celíaca. Normalmente, a pessoa sente sintomas gastrointestinais, que são os mais comuns, mas não quer dizer que a pessoa não tenha outros sintomas. Esta doença pode levar a má absorção de muitos nutrientes, e daí a perda de peso exagerada, muita fadiga, um cansaço extremo, fraqueza, dormência nos membros, dores nas mãos e nos pés. Nas crianças, provoca bases de crescimento, problemas na menstruação e fertilidade, osteoporose, ansiedade, depressão, transtorno de deficiência de atenção. Anemia, por exemplo, há muitas mulheres que têm uma anemia crónica que não conseguem resolver e depois descobrem que são celíacas”, explica a especialista.

O mais importante a reter é que uma pessoa que seja diagnosticada com doença celíaca só pode consumir alimentos totalmente isentos de glúten. Não pode ir a um local que não seja apto para celíacos, porque os sintomas aparecem não só pela ingestão como “o contacto com pele ou mucosas, ou até por exemplo, vapores de culinária”, acrescenta.

Intolerância ao glúten

No caso da intolerância, alguns sintomas como dor abdominal, gases, inchaço, diarreias e obstipação também podem ocorrer, contudo, a intolerância é “uma reação exagerada do organismo a um determinado alimento, mas não é através de um metabolismo imunológico, ou seja, é único e exclusivamente através do processo digestivo de transformação do alimento e, portanto, normalmente, as queixas e os sintomas são só gastro abdominais”, conta a nutricionista.

Atualmente, esta intolerância pode derivar de consumos excessivos, contínuos e de má qualidade. Tal como explica Catarina Lopes, nada impede uma pessoa de ter uma refeição sem glúten, num restaurante onde ele exista, pois não vai existir nenhuma reação exagerada.

“Eu tenho um prego. Estou descalça e enfio o prego no pé. Isso é a doença celíaca: tenho automaticamente uma doença celíaca, tenho de ir ao hospital tirar o prego, tenho de perceber se existe ferrugem e se está infetado com alguma doença. Esse prego pode, por isso, levar-me à morte. Agora, se eu estiver calçada e um prego se espetar no meu pé: se eu andar sistematicamente com o prego no meu sapato, eu posso ficar mal, mas se eu me aperceber que o prego está lá, vou deixar de o usar e não vou ficar mal”, exemplifica a especialista.

O mais indicado é ser sempre seguido por um profissional da área para que possa, de facto, entender se no seu caso sofre de uma alergia ou de uma intolerância ao glúten.